quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A HISTÓRIA DOS PORCOS ESPINHOS

"Se as coisas são inatingíveis
Ora, não é motivo para não querê-las
Que tristes os caminhos
Se não fora a presença distante das estrelas"
Mário Quintana
Uma das coisas que faço regularmente e com muito prazer é bater um papo descontraido com pessoas inteligentes, tal como aconteceu nesses dias que antecederam o feriado do 7 de Setembro, com a nossa colaboradora Ane Emmer, quando abordamos a questão dos conflitos existentes entre pessoas, família e organizações, resultando neste texto.
Na verdade, desde a origem do mundo, tomadas ambas teorias do surgimento da Terra, seja a Criacionista ou a Evolucionista, percebe-se que qualquer reunião de seres implica numa situação de conflitos.
Quando citamos Adão e Eva, trazemos à lembrança a primeira transgressão humana – a mordida na maça proibida. Seguindo o curso, ocorre o primeiro crime, o fratricídio, Caim mata Abel. E muitas outras narrativas de transgressões às leis e costumes da época enfocam essa situação.
Por outro lado, pela ciência ocorrem também exemplos de embates entre espécies, seja pela sobrevivência, justificando a cadeia alimentar, ou pela territorialidade, manutenção do grupo, dentre outros motivos ao longo da evolução, seja por uma simples bactéria ou um gigantesco dinossauro.
O fato que emerge é a situação de natureza conflitante que diuturnamente ocorre entre os seres vivos. Unir indivíduos com interesses comuns, acarreta, consequentemente numa força em prol daquele proveito. Todavia, agregar indivíduos com interesses distintos ocasiona numa incongruência de valores, posturas e atitudes. Problema instalado!
Desde a origem, um dos maiores problemas da humanidade é solucionar esse impasse. Se houvesse uma resposta simples, não teríamos registrado na nossa história fatos como as guerras, as demasiadas perseguições religiosas, e tantas outras manifestações de falta de indulgência.
Como argumentar a morte de mais de 6 milhões de judeus na II Guerra? Perseguição aos judeus? Busca pela primazia da raça Ariana? Nada, absolutamente nada, justifica atos e posições como as que foram tomadas nesse sentido.
Estados sofreram golpes, ditaduras foram estabelecidas, minorias foram atingidas em prol de ideais que não vislumbravam o conceito de s-o-c-i-e-d-a-d-e, frise-se, e sim de individualidade.
Partindo para um contexto micro, tomemos uma pequena coletividade onde uns querem ir para direita e outros querem ir para esquerda, como resulta essa equação? Digo-lhes, todos ficam parados, pois, pela III Lei de Newton: "a toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade, ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em direções opostas". Derradeiramente, ninguém fica satisfeito.
Ao buscar exemplos de conflitos entre semelhantes, registra-se a leitura de contos e fábulas de diversas culturas, toma-se como exemplo, na real acepção da palavra: A História dos Porcos Espinhos.
"Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos espinhos, percebendo esta situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhariam e se protegeriam mutuamente.
Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que forneciam calor. E, por isso, eles tornaram a se afastar uns dos outros, voltando assim a morrer congelados.
Precisavam fazer uma escolha urgentemente. Desapareceriam também da face da terra morrendo todos congelados, ou aceitavam os espinhos de seus semelhantes?
Com sabedoria, decidiram voltar e ficar juntos. Aprenderam assim, a conviver com as pequenas feridas que uma relação muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor um do outro.
Sobreviveram...
O melhor relacionamento não é aquele que reúne membros perfeitos, mas aquele onde cada um aceita os defeitos do outro e consegue perdão pelos próprios defeitos. "
Autor desconhecido
Uma lição tão simples de resultado tão complexo. Esse paradoxo é transmite exatamente a essência desse problema de convivência que há milênios as sociedades vem enfrentando. A simplicidade do exemplo não oculta a complexidade da solução do problema.
A mensagem que se pode extrair das singelas palavras supracitadas é que para sobreviver temos que aprender a tolerar, e faça-se o registro do conceito de tolerar, as diferenças (espinhos) dos membros do grupo que pertencemos para que possamos dar seguimento aos propósitos em comum.
Isso se aplica em todas as áreas, seja no trânsito, seja no âmbito familiar, nas relações de trabalho, nas grandes Administrações, e, principalmente, nas instituições de Estado que têm missões e negócios nobres tais como: proteção à vida, a liberdade, ao meio ambiente... e até valores semelhantes.
O que seria dos porcos espinhos se não tivessem seus semelhantes para partilharem a dolorosa tarefa da sobrevivência...

A HISTÓRIA DOS PORCOS ESPINHOS

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