terça-feira, 22 de maio de 2012

Encerramento da Disciplina Planejamento Estratégico do Curso de Especialização em Gestão Estratégica em Segurança Pública


Foi uma honra e tanto conduzir a Disciplina Planejamento Estratégico do Curso de Especialização em Gestão Estratégica em Segurança Pública, convênio PMBA/APM e UNEB, buscando ampliar a visão de futuro dos Oficiais Superiores PM, Delegados, Peritos etc, para a formulação do planejamento superior num horizonte de tempo mais amplo, privilegiando a flexibilidade e controle de variáveis nos ambientes interno e externo de suas Organizações, onde vários temas foram estudados, dentre eles:Tecnologia e Informação para a Segurança Pública no Estado da Bahia; A Questão Prisional no Estado da Bahia; Legalização de Serviços de Segurança a ser Prestados por Terceiros por Policiais Civis e Militares no âmbito do Estado da Bahia; Paralisação dos Serviços Essenciais - PM; Redução das Taxas, Prevenção e Combate aos Roubos aos Estabelecimentos Bancários e caixas Eletrônicos no Estado da Bahia; Integração do Detran-Ba e Segurança Pública; A Emancipação do Corpo de Bombeiros da PMBA; e Prevenção e Combate ao Tráfico de Drogas na BAHIA.
Na verdade, material inicial que poderá servir de subsídio para a formulação de políticas públicas ou mesmo planejamentos pertinentes com foco na segurança pública. Na oportunidade parabenizo todas as equipes, as quais se empenharam nas feituras e apresentações dos respectivos trabalhos, merecendo o sucesso alcançado por todos.
 Assim a UNEB e a APM cumprem esse papel importantissimo em estudar as questões relativas à segurança pública no Estado da Bahia. Uma turma e tanto.... comprovou que aprender a aprender é muito mais importante do que aprender.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Apenas refletindo sobre Segurança Pública

As notícias relatando crimes e violência têm ocupado os meios de comunicação de massa deste País e em particular da Bahia. Diante da carência de políticas públicas mais arrojadas para fazer frente a essa situação, agravada em face da crônica falta de meios materiais, tecnológicos e humanos, as instituições que compõem o sistema de segurança pública do nosso Estado têm trabalhado muito para fazer frente ao crescimento avassalador da criminalidade. No entanto, se não houver uma consciência política mais acurada sobre o tema, dificilmente venceremos essa, acredite, guerra.

Pensando sobre a questão e reforçando o que já foi publicado, apresentamos algumas conjecturas:

ü  Uma das principais causas da criminalidade está na marginalização das camadas sociais menos privilegiadas;

ü  A intensa migração rural-urbana, onde a mão de obra desqualificada é maioria, aliada à incapacidade de absorção do contingente da população economicamente ativa, são aspectos multifacetários do problema da criminalidade no país, seja no campo, seja na cidade;

ü  Não se perca de vista que nenhuma medida, objetivando conter a criminalidade e a violência no campo, terá efeito positivo se o explosivo tema da reforma agrária não for encarado como um problema de base, cuja solução não pode ficar condicionada à ocupação forçada do solo, por atos nem sempre pacíficos de movimentos socialmente organizados ferindo frontalmente o ordenamento jurídico legal;

ü  É imperioso, ainda, repensar o modelo tradicional das organizações policiais do país, abandonando os velhos paradigmas, para amoldá-lo às contingências de um mundo globalizado, que torna possível as facções criminosas comandarem a execução de crimes mesmo por trás dos muros de presídios de segurança;

ü  É preciso, também, dinamizar os setores econômicos para ampliação do mercado de trabalho nos grandes centros urbanos, seja incentivando a criação de pequenas e médias empresas, seja com a divisão social do trabalho e melhor distribuição de renda, até mesmo porque constitui objetivo da República, sem paternalismos que apenas mascaram a situação e soam como ações que visam períodos eleitorais;

ü  O conflito e a violência no campo têm raízes bastante antigas e profundas que só podem ser minimizados, senão resolvidos com uma política fundiária que contemple a todos os interesses, principalmente daquelas populações historicamente alijadas do processo.
Sugerimos, ainda:
q  Uma nova formatação das Secretarias Estaduais de Justiça, bem como de Segurança Pública, onde as duas se integrem com vistas a guarda de estabelecimentos penais e correcionais;
      q  Equipar as corregedorias das polícias e rearticular as ouvidorias;
q  Completar os efetivos policiais em consonância com a Lei de Força aprovada, bem como dotar as estruturas físicas que abrigam quartéis e delegacias dos meios necessários, dando-lhes segurança, dignidade, impacto visual, conforto/condições mínimas de trabalho, alavancando assim uma motivação maior, lembrando-se da taxa de evasão de pessoal das instituições deduzindo-se das propagandas;
q  Aperfeiçoar os fundamentos da policia cidadã sem importar fórmulas não testadas e aprovadas;
q  Reestruturar a polícia científica com efetivo qualificado e equipamentos pertinentes e plano de expansão que atenda os 417 municípios baianos;
q  Partir do pressuposto de que a segurança pública é uma tarefa complexa, entretanto, participativa, onde o cidadão é coparticipe do seu encaminhamento, devendo ser consultado, ouvido e merecedor de ter suas críticas devidamente analisadas. Assim teremos a polícia desejada, ou seja: uma polícia que pense e produza que se integre e interaja com a comunidade em geral;
q  Que o controle da criminalidade passa, inevitávelmente, por profundas reformas sociais, que atinjam o criminoso educando-o e ressocializando-o para o convívio em sociedade;
q  Estabelecimento de políticas pública visando uma atuação mais ativa do Poder Judiciário, Ministério Público e correlatos, acompanhadas de reformas na legislação pertinente e, de igual modo, alavancar os demais segmentos de controle social, vislumbrando respostas mais céleres;
q  Fortalecer o sistema de defesa do País, como forma de se evitar o contrabando de armas, entrada de drogas e de mercadorias ilegais, desvios de função; e
q  Investir maciçamente na educação, principalmente dos nossos jovens e adolescentes, objetivando minorar a situação num futuro não muito distante, sem perder de vista que esta nossa geração ainda não está perdida e pode ser recuperada, acredito.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Aprendizagem Organizacional – Eficiência, Eficácia e Efetividade

Em face das recentes publicações relativas à Segurança Pública na Bahia que não consegue reduzir as taxas de Crimes Violentos, cabe lembrar os ensinamentos de Valença & Associados / Aprendizagem Organizacional em Diagnóstico Sistêmico e de Concepção Estratégica da Polícia Militar da Bahia: “... acontece uma aprendizagem organizacional quando uma organização experimenta uma situação de erro, isto é, um descompasso entre os resultados esperados e os resultados alcançados (erro) e responde a esse descompasso com uma investigação reflexiva, que permite reconceber sua teoria (imagem da organização), adquirir uma nova compreensão dos fenômenos organizacionais e restaurar suas práticas e normas, de modo a produzir os resultados desejados.”
Na verdade, uma reflexão mais profunda sempre nos leva a tirar lições positivas das nossas situações de erro e, o que temos a fazer é reconceber as nossas idéias, reajustar os nossos planejamentos, reaplicá-los buscando acertos.  Assim, aprendemos que aprender a aprender é muito mais importante do que aprender. Se tudo isso é verdadeiro, não há lugar para comunicados, portanto, vamos colocar num mesmo plano as nossas experiências, percepções e expectativa – milagre da comunicação e caminho para colheita de resultados positivos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

12º ENEME: oficiais PM e BM discutem negociação salarial com governos

 
Ocorreu nos últimos dias 12 e 13 de abril, organizado pela FENEME e pela AOPM-BA, o 12º Encontro Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais, em Salvador, evento que teve como tema os “Militares estaduais e negociações salariais”. Discussões qualificadas ocorreram no evento, que teve a presença de oficiais PM e BM de vários estados da Federação, embalados pelo fervilhar de movimentos reivindicatórios que vêm ocorrendo em todo o Brasil, inclusive o mais notório deles, que eclodiu recentemente na Bahia.
Nas discussões de corredores, e até nos discursos de parte dos palestrantes, um consenso pareceu estabelecido: os oficiais das polícias e bombeiros militares precisam tomar a frente do processo de mudança das corporações policiais, inclusive liderando de maneira lúcida movimentos reivindicatórios junto aos governos. Ao mesmo tempo, parece-me, este é um entendimento problemático, uma vez que a tendência geral é que os oficiais sustentem publicamente discursos conservadores, muitas vezes alinhados com os interesses governamentais.

Por dois motivos, principalmente: pelos benefícios que arrisca-se a perder (promoções, cargos etc) ao se manifestar contra certos tratamentos dos governos e pela ilegalidade da oposição pública aos governantes – ilegalidade absurda, mas, ainda assim, ilegalidade. Em relação às praças, os oficiais preocupam-se muito mais com estes dois pontos, por questões privadas/capitalistas e por ser chefe, mais preocupado com o desacato às normas que aparentemente firam esta condição. Como construir uma liderança vinculada a estas demandas, enquanto aqueles que falam em nome dos praças geralmente possuem maior desprendimento e contundência nos seus posicionamentos?
Parte deste questionamento foi respondido pelo ex-Secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, que pontuou onze passos para a evolução institucional das polícias e bombeiros militares brasileiros:
1. Aumento da representação política federal das polícias militares e bombeiros;
2. Vinculação orçamentária destinada a investimentos em Segurança Pública;

3.
Investir na qualificação pessoal e de parcerias sociais (aproximação de ONG’s, movimentos sociais etc);

4.
Reforma Constitucional das organizações de segurança pública;

5.
Responsabilização do Governo Federal no sentido de assumir compromissos com a Segurança Pública;

6.
Sindicalização das polícias e bombeiros militares;

7.
Permanência na defesa da PEC 300;

8.
Melhorar as relações com a mídia e com os intelectuais;

9.
Aproximação interna entre praças e oficiais, bombeiros e PM’s etc;

10.
Ordenação e organização dos Movimentos Reivindicatórios, evitando equívocos;

11.
Criação do Ministério da Segurança Pública.
Sem reivindicações que ecoem em uníssono – incluindo praças e oficiais – as evoluções institucionais dificilmente serão alcançadas. A coesão evitaria mobilizações traumáticas e arbitrárias. Em todo o Brasil, os praças já demonstraram, e continuam demonstrando, desordenadamente ou não, rejeição ao que está posto. Cabe aos oficiais assumirem o protagonismo que costumam defender, não em favor da politicagem de ocasião, mas visando a evolução das polícias e bombeiros militares, com seus homens e mulheres, para o status de organizações públicas eficientes e alinhadas com os interesses sociais.


Autor:
Danillo Ferreira - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.